Like pigs… or cows!
Hoje tivemos que nos submeter ao physical examination. Não é que eu estivesse realmente preocupada com isso, afinal de contas acho que mesmo que eu tenha algum problema de saúde desconhecido, que venha à tona apenas na China in Box, não acho que seria algo tão sério a ponto de ser expulsa do país por isso. Mas já tinham nos falado tanto a respeito deste exame que fiquei nervosa com isso desde cedo.
Que você tinha que ficar pelada o tempo todo. Fazer ultrassom transvaginal. Fazer exame de sangue, urina e fezes. Que até catarrar num guardanapo ia ter que catarrar, para analisar a cor do catarro. Já estava até sentindo vertigens.
Não foi tão ruim assim. Mas, sinceramente, me senti como se fosse um porco. Ou uma vaca. Sendo conduzida de uma sala para outra e obedecendo a ordens de médicas chinesas bravas. Pode ser que elas não estivessem bravas de fato, mas da mesma forma que o mais macho dos homens me parece gay quando fala francês, qualquer um falando chinês me sua como se estivesse me dando uma bronca.
Pelas minhas contas, deviam ser umas 50 pessoas na fila. Passaporte original, cópia do passaporte (“don’t have? 1 yuan”), quatro fotos, formulário JW202 original, cópia do formulário (“don’t have? 1 yuan”), preencha esta formulário, aguarde. Daí fui para outra sala, preencher o formulário. No caminho conhecemos uma brasileira, Fernanda, que mora em Shanghai há 3 anos trabalhando como modelo. Que by the way nos contou a respeito deste restaurante brasileiro onde todos se encontram nas noites de domingo.
O formulário aborda todos os aspectos da saúde. Cirurgias, doenças sexualmente transmissíveis, HIV, hepatites. Malária? Febre amarela? Tifo? Não, não, não. Uma longa coluna de xizinhos no não. Não, não, não. Aí a entrevista. Está na China porquê? Por quanto tempo? Porquê, porquê, porquê?
Daí o changing room. Tirar toda a roupa da cintura para cima, vestir um roupão, pegar sua ficha e esperar no corredor. Ai as quase cinqüenta pessoas já estavam todas em seus devidos roupões, esperando no corredor. Primeira sala, exame de sangue. A mulher não trocou de luva, entre o examinando anterior e eu; se eu não tinha hepatite, agora talvez eu tenha…
Segunda sala: exame de vista. Terceira sala, ultrassonografia. Quarta sala, eletrocardiograma. Daí desce as escadas, para o Raio X, num frio de cinco graus, usando só um roupãozinho fuleiro. Depois do Raio X, sobe as escadas, sexta sala: tira a pressão, asculta o pulmão, palpação do abdome, exame das mamas. “Plastic?”, a médica me pergunta, quando abro o roupão. “No”, eu respondo. “Hao, hao!”, ela me responde, sorrindo um sorriso banguela. Pelo menos neste exame eu passei.
Espera na recepção, preenche outro formulário, volta para a salinha, troca de roupa, volta na recepção. Quer buscar o exame em seis dias ou receber pelo correio em casa? Receber em casa. “25 yuan”. Tirando os 500 que paguei no início de tudo, antes de ser só uma estrangeira de cabelo escuro sem sutiãn enrolada num roupão meio amassado, sendo avaliada de cabo a quase literalmente rabo.
Tudo isso para ver se estou à altura de continuar gastando aqui todo o dinheiro que já ganhei na vida.